quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

I – A CAPELA DE SÃO BARTOLOMEU

A ANTIQUÍSSIMA CAPELA DE SÃO BARTOLOMEU 

Vila do Conde teve, e tem, muitas capelas. Uma voltada para o rio, outra para o mar, capelas junto a antigas estradas, capelas à face de antigas e movimentadas ruas, capelas em colinas.
A origem da de São Bartolomeu, que precedeu a da Lapa, é desconhecida, mas teve a ver com a entrada no termo da Vila para quem vinha de Barcelos, Braga e Guimarães e talvez alguma coisa com o Campo da Forca[1] e com o Campo da Cruz que por ali se identificaram. Possivelmente, vem ainda da Idade Média. Era ali o limite com Formariz.
Em 1758, o Prior de Vila do Conde, na memória paroquial, na lista das capelas locais, colocou em primeiro lugar a de São Bartolomeu. Informou sobre ela:

Capela de São Bartolomeu, de fundação antiquíssima, situada na entrada desta vila para a parte da terra, foi sempre capela do povo e de administração pública. De presente, por se achar arruinada, tem também a invocação de Nossa Senhora da Lapa e se está ampliando e edificando de estrutura magnífica e custosa. Foi reedificada naquele ser antigo pelo Padre Manuel Álvares, que nela jaz sepultado.

No século XVI

No arquivo municipal, conservam-se vários documentos do século XVI que fazem menção de São Bartolomeu, entendendo-se que falam da Capela de São Bartolomeu.
Um dos mais antigos é uma acta de vereação que manda que “não levem nem lavem os bacios no ribeiro de Gamelinhas[2] que está na entrada da vila, vindo de São Bartolomeu”. Estabeleceu-se a pena de cinquenta réis por cada vez para os prevaricadores. O documento tem ao fundo a data de 1560.
Ao cimo, numa espécie de título, diz: “Que não vão lavar os bacios ao ribeiro das Gamelinhas”.
Alguns anos antes, em 1556, já se referia “o caminho que vai para São Bartolomeu, que é na saída desta vila”.
Num outro documento, de 1580, Francisco Gonçalves do Cabo faz entrega de significativa quantia aos vereadores, “em São Bartolomeu, ao marco que divide o termo desta vila com o da vila de Barcelos”, acaso por estar Vila do Conde impedida devido à peste.
Em 10 de Outubro do mesmo ano, duma procuração diz-se que foi passada em São Bartolomeu por impedimento da peste.



Esta imagem, porventura do séc. XV ou XVI, deve ter sido a mais antiga venerada na capela de que aqui se trata. Ao fundo do peito possuía um relicário.


Termo camarário de 1560 para “que não vão lavar os bacios ao ribeiro das Gamelinhas”. As duas últimas palavras antes das assinaturas dizem “São Bertolameu” (São Bartolomeu). A concluí-lo, lê-se a indicação do ano.


[1] Este nome de Campo da Forca pode ser anterior ou até muito anterior à Capela de São Bartolomeu.
[2] Ainda há uns 60 anos se lavava roupa nesse ribeiro.


Já se viu que o Pe. Manuel Álvares reedificou a Capela de São Bartolomeu. Ignora-se a data do seu nascimento, mas sabe-se que em 13 de Julho de 1614, quando foi recebido como irmão da Santa Casa da Misericórdia, morava na Rua de São Bartolomeu.
O Pe. Manuel Álvares faleceu em 1652, de “morte apressada”, sem ter ocasião para fazer testamento. Há a tradição de que a sua morte terá resultado duma queda talvez do cimo do tecto da capela.
Este sacerdote está sepultado do lado sul da Igreja da Lapa. No seu assento de óbito escreveu-se:

Nos oito dias do mês de Agosto de mil seiscentos e cinquenta e dois anos faleceu o Pe. Manuel Álvares com o sacramento de Santa Unção somente por falecer de morte apressada e estar incapaz dos mais sacramentos. Diz o encomendado Agostinho Fernandes não fez testamento.

Veja-se o mesmo assento na grafia original:

“Em os oito dias do mes de Aguosto de mil seis centos e sinquoenta e dous annos faleceo o p.e Manoel Alz com o sacramento de Santa Ounçam som.te por falecer de morte apressada e estar incapax dos mais sacramentos dis o encomendado Agus.tho fes. não fes testamento”.

Na margem esquerda ainda se lê:

“Fes hum off.o de clériguos e hum de des e dous de nove.
O P.e M.el Alz”.

Curioso que o autor desta nota lateral tenha o nome do falecido.
Em 1721, o prior vila-condense escreveu que em São Bartolomeu estava sepultado “um sacerdote de boa opinião, chamado Manuel Álvares”. Esta observação é bastante mais importante do que parece uma vez que viveram na Vila muitos sacerdotes concubinários e que por isso não mereceram boa opinião.

O Sumário das Indulgências

Na sacristia da Igreja da Lapa, conserva-se uma pauta de indulgências concedida pelo papa Urbano VIII: deve vir do séc. XVII e as indulgências foram obtidas em tempo do Pe. Manuel Álvares e com certeza por seu empenho[1]. É um documento que demonstra grande zelo da parte de quem actuou para que fosse concedido.
O Sumário das Indulgências concedidas aos confrades da “Confraria do Glorioso Apóstolo São Bartolomeu” é um generoso documento dum tempo em que as pessoas apostavam muito no sufrágio dos mortos; ora estas indulgências dispensavam-no ao menos em parte. Há-de ter tido um efeito muito marcante no aumento do número dos irmãos e nas visitas à capela.
Embora dê relevo à Confraria de São Bartolomeu, já fala em Nossa Senhora, São Lourenço e São Matias.
Deve tratar-se mesmo dum sumário, da versão resumida dum documento maior vindo com certeza em latim.

Sumário das Indulgências concedidas aos confrades da Confraria do Glorioso Apóstolo São Bartolomeu desta Vila do Conde por autoridade do nosso mui Santo Padre Urbano VIII, nosso senhor, ora na Igreja de Deus Presidente.
Primeiramente, todo o fiel cristão, homem ou mulher, que entrar nesta Confraria do Glorioso Apóstolo São Bartolomeu, no primeiro dia da sua entrada, se verdadeiramente arrependidos de seus pecados, confessados e comungados, alcançam indulgência plenária e remissão de todos os seus pecados.
Concede Sua Santidade aos confrades da dita confraria, assim aos que são como aos que adiante forem, que no artigo da morte, se verdadeiramente confessados e comungados e arrependidos de seus pecados, ou se o não puderem fazer, ao menos, contritos, invocarem o Santíssimo Nome de Jesus com a boca ou com o coração, lhes concede Sua Santidade indulgência plenária de seus pecados.
Sua Santidade concede a todos os confrades e consorores que são ou forem, que, verdadeiramente confessados e comungados, visitarem a Igreja do Glorioso Apóstolo São Bartolomeu[2], das primeiras vésperas até ao sol-posto do mesmo dia, em todos os anos, e aí rogarem a Deus pela concórdia dos príncipes cristãos e pelas extirpações das heresias e pela exaltação da Santa Madre Igreja, e semelhantemente indulgência plenária e remissão de todos seus pecados.
Outrossim concede Sua Santidade aos confrades que verdadeiramente confessados e comungados visitarem a mesma Igreja do Glorioso Apóstolo nos dias da festa da Assunção e Anunciação de Nossa Senhora e do Glorioso Mártir São Lourenço e do Apóstolo São Matias, des(de) as primeiras vésperas até ao sol-posto dos mesmos dias, indulgência plenária e remissão de todos seus pecados.
Todas as vezes que estiverem às missas ou outros ofícios divinos que se celebrarem, ou em público ou em particular, por (palavra ilegível) via feitos ou derem pousada aos pobres ou compuserem pazes entre os inimigos ou também aqueles que acompanharem os corpos dos defuntos às sepulturas ou quaisquer procissões que se fazem de licença do ordinário e acompanharem ao Santíssimo Sacramento, assim nas procissões como quando o levam aos feridos que estando impedidos, dado o sinal para isso da campana, disserem uma vez o Pai-Nosso e Ave-Maria ou também rezarem um Pai-Nosso e Ave-Maria pelas almas do Purgatório e dos confrades defuntos ou encaminharem alguém que vá desencaminhado ao caminho da salvação e ensinarem os preceitos de Deus aos ignorantes ou excitarem (exercitarem) outra qualquer outra obra pia e todas as vezes por qualquer das ditas obras lhes relaxa Sua Santidade sessenta dias de perdão e penitência a ele (palavra ilegível) impostas ou por outro qualquer modo devidas na forma costumada da Igreja.
Estas indulgências quer Sua Santidade que valham para sempre.


Assento de óbito do Pe. Manuel Álvares.


Campa do Pe. Manuel Álvares junto à parede sul da Igreja de Nossa Senhora da Lapa.


Retrato do Papa Urbano VIII. Urbano VIII foi papa entre desde 1623 a 1644, em tempo por isso do Pe. Manuel Álvares.

  
Este Sumário de Indulgências e a tábua da Lenda da Berengária, em Santa Clara, foram com certeza escritos pelo mesmo artista no século XVII.




[1] O artista que escreveu na madeira este documento foi com certeza o mesmo que escreveu a “tábua” da Lenda da Abadessa Berengária que se conserva no Mosteiro de Santa Clara.
[2] Não era propriamente igreja, mas uma pequena capela.
A RUA DE SÃO BARTOLOMEU

Em tempos antigos a Rua de São Bartolomeu era o principal acesso à Vila por terra. Quando o seu porto foi muito movimentado, por ela circulavam necessariamente muitas das mercadorias que eram exportadas ou chegavam de fora. Barcelos, Braga, Guimarães seriam destinos principais. Também por lá passavam as pessoas quando iam para a ponte d’Ave para seguirem para o Porto.

Nos livros da décima

Conservam-se uns livros antigos destinados a registar, ano atrás de ano, quem devia pagar o imposto da décima e a respectiva quantia. O registo começava a ser feito na Rua de S. Bartolomeu. Isto é, era com as casas desta rua e seus donos que durante dezenas e dezenas de anos eles se iniciavam.
Igualmente o Prior Falcão, na memória paroquial, iniciou a lista das capelas da Vila pela de São Bartolomeu.
Esta tradição devia conservar memória de tempos muito antigos, de quando a câmara e por isso igualmente o centro da Vila ficavam na Praça Velha.
A Rua de S. Bartolomeu ia apenas dos arredores do aqueduto para poente; mas era uma rua bastante habitada.
Entre o aqueduto e a Igreja da Lapa, haveria apenas uma ou outra casa ou nenhuma. Esta igreja ficava “fora” da Vila, como outros lugares rurais do pequeno concelho.
Mais do que homenagear o apóstolo S. Bartolomeu, com a atribuição do seu nome à actual Rua da Lapa, indicava-se uma direcção, a direcção da Capela de São Bartolomeu.
Documentos mais recentes mencionam um pequeno lugar da Lapa, junto à igreja.

A Capela de Sebastião, a Casa de São de Sebastião, a Rua de S. Sebastião e o Largo de São Sebastião

A Rua de São Bartolomeu terminava junto à Capela de São Sebastião, que ficava onde hoje se identifica o Largo de S. Sebastião. Este santo também dava nome a uma rua, a Rua de S. Sebastião, que devia vir de sul, do lado do rio, a uma travessa, que corresponderia porventura ao começo da actual Rua das Mós, e a uma casa, a Casa de São Sebastião.
Da capela de São Sebastião o Prior Falcão diz apenas que nela se venerava a imagem do padroeiro e que era da administração da câmara.
A imagem de S. Sebastião foi levada da sua capela para a Igreja do Convento dos Carmelitas em 1836 – quando já não havia carmelitas em Vila do Conde. A partir desta data, na capela passou a venerar-se Santa Ana. Quando se pensou em abrir a estrada nova que vinha do Porto para a Póvoa, a Capela de Santa Ana foi demolida e os seus “pertences” foram levados para a que então se construiu no Cemitério e que foi benzida em 1859. Assim, quer o retábulo do altar-mor quer as imagens dos altares laterais estão lá.

A Casa de São Sebastião

Até recentemente, a casa onde actualmente está o Centro de Memória era identificada como a Casa de São Sebastião. O nome vinha-lhe naturalmente da capela que havia em frente.
Embora desconheçamos inteiramente o contributo que os seus sucessivos donos deram para a devoção desenvolvida em S. Bartolomeu e depois na Igreja da Lapa, é de crer que não tenham ficado alheios a ela.
O seu mais antigo proprietário conhecido foi Manuel Azevedo e Ataíde, comendador da Ordem de Cristo. Como em 1672 a vendeu a João Carneiro Rangel, cavaleiro do hábito de Cristo, foi contemporâneo do Pe. Manuel Álvares que restaurou a Capela de São Bartolomeu. Faleceu em 1677.
O proprietário seguinte foi Francisco Carneiro de Sotomaior, capitão-mor e cavaleiro da Ordem de Cristo.
A casa passou depois para João Carneiro Rangel de Sotomaior, que faleceu em 1738, herdando-a sua filha bastarda Maria Joana Carneiro Rangel de Sotomaior, que casou com Luís Inácio Pereira Coutinho de Vilhena, governador do Castelo de Vila do Conde. Este casal é assim coevo da construção da Igreja da Lapa.
Possuiu a seguir a casa José Pereira Coutinho de Vilhena, nascido em 1750, que casou com Luísa Casimira de Lira e Vasconcelos, senhora do Paço de Briteiros, concelho de Guimarães.
O herdeiro de José Pereira Coutinho de Vilhena foi António Pereira Coutinho de Vilhena Carneiro Rangel, tenente-coronel de milícias de Vila do Conde, que faleceu em 1842, sem filhos legítimos, sucedendo-lhe o irmão Luís Pereira Coutinho de Vilhena Carneiro Rangel de Vasconcelos. A casa esteve ainda na posse de duas irmãs destes até ser vendida, em 1856, ao Dr. José Joaquim de Figueiredo de Faria, a quem sucedeu Jorge Brandão Figueiredo de Faria[1].

Largo de São Sebastião

Depois que foi demolida a capela que fora de São Sebastião, depois que se mudaram os nomes da Rua e Travessa de São Sebastião, depois que à Casa de São de São Sebastião se retirou o painel que a identificava como tal, só a breve indicação toponímica de Largo de São Sebastião conserva memória da capela que ali houve.
  

Os “pertences” da capela que tinha sido de S. Sebastião foram depois utilizados na capela que se encontra no Cemitério.


Antiga Casa de São sebastião como a conhecemos hoje. Ao tempo da construção da Igreja da Lapa era possuída por Luís Inácio Pereira Coutinho de Vilhena, governador do Castelo de Vila do Conde. Há um assento de baptismo de 5 de Julho de 1867 em que é padrinho por procuração o “bacharel José Joaquim Figueiredo de Faria, morador na Rua da Senhora da Lapa”. Tinha adquirido esta casa dez anos antes e deve tê-la reconstruído quando já havia a estrada para a Póvoa a que hoje se chama Rua 5 de Outubro. A casa aparenta grande uniformidade de estilo. José Joaquim Figueiredo de Faria, advogado, foi administrador do concelho, presidente da câmara e deputado.




[1] Na casa fronteira à de São Sebastião também viveram nobres.

A PRIMEIRA LAPA


As três Lapas

Na memória paroquial o Prior de Vila do Conde pareceu dar a entender que a invocação da Senhora da Lapa era recente na Capela de São Bartolomeu, mas uma referência documental de 1738 já associa esta capela à Senhora da Lapa.
O mesmo nome de lapa, porém, aponta para três fases de devoção diferentes.
A primeira seria a que precedeu a pregação do Pe. Ângelo de Sequeira, a segunda a que se seguiu a ela e a terceira a que sucedeu à anterior, depois que foi esquecida a pregação daquele sacerdote.
Chamamos-lhes as três Lapas[1].
A primeira teve necessariamente origem em Sernancelhe, fonte donde se espalhou essa devoção por Portugal e colónias e mesmo para Espanha. Nessa divulgação teve lugar especial a pregação dos jesuítas.
A segunda, que explanaremos à frente, deve-se, como foi dito, ao Pe. Ângelo Sequeira.
A terceira caracteriza-se por identificar a lapa com a Lapa de Belém, do Presépio, com a consequente devoção ao Deus-Menino e à Sagrada Família.

A primeira Lapa

Copiamos do site do Santuário da Lapa em Sernancelhe a lenda que terá originado a devoção à Senhora da Lapa:

Diz a lenda que, em 1498, uma pastorinha de doze anos, de nome Joana, muda de nascença, introduzindo-se por entre as fendas das rochas encimadas pela grande lapa, aí encontrou uma linda imagem da Virgem, que ali teria sido escondida há mais de quinhentos anos por umas religiosas fugindo a uma perseguição.
A devoção e todo o carinho que a menina dedicou à imagem valeram-lhe uma especial protecção da Virgem que por milagre lhe concedeu o dom da fala.
Depressa se divulgou o milagre, originando uma crescente afluência de peregrinos jamais interrompida até aos dias de hoje.
Os primeiros devotos prepararam uma gruta debaixo da lapa, onde entronizaram a imagem, construindo ao lado uma pequena ermida.
Em 1576, a Lapa foi confiada aos Padres da Companhia de Jesus, sediados no Colégio de Coimbra. Estes construíram, então, o actual Santuário, abrigando a penedia no seu interior. Em 1685 iniciaram a construção do "Colégio da Lapa", contíguo ao Santuário.
Daqui partiu a devoção para os mais variados pontos do país e do mundo, chegando à Índia e ao Brasil. Esta expansão foi facilitada pela actividade missionária dos mesmos Padres Jesuítas, aos quais estava confiado este Santuário.
A Senhora da Lapa, em Portugal, e Santiago de Compostela, na Espanha, chegaram a ser, em tempos, os dois Santuários mais importantes da Península Ibérica.


Outra imagem de São Bartolomeu. A cruz pretende indicar que este apóstolo foi martirizado por crucifixão. Esta imagem deve ser a que precedeu a actual e por isso do tempo da colocação da talha neoclássica.


Página de rosto dum Missal Romano da Lapa de 1726.



O lintel desta porta tem a data de 1739. A casa, na actual Rua da Lapa, pertencia a Formariz, mas ficava próxima da antiga Capela de São Bartolomeu.




[1] Segundo o dicionário, lapa tem entre outros estes significados: “pequena gruta ou cavidade aberta na rocha” e ainda “laje que, sobressaindo, forma debaixo de si um abrigo natural”. São estes os significados a atribuir à palavra quer se pense em Sernancelhe quer na lapa do Presépio.

O RETÁBULO JOANINO


Em 31 de Dezembro de 2017, dia da Sagrada Família, foi apresentado ao público o retábulo joanino restaurado que se conserva na sacristia da Igreja da Lapa.
Este retábulo pertenceu à Capela de São Bartolomeu de que resultou, por reconstrução de raiz e ampliação, a actual igreja.
É fácil verificar que se trata dum produto de talha joanina[1]. Daí a datar a sua execução com uma aproximação bastante grande é um passo curto. De resto, existem na Vila outros retábulos do mesmo estilo e cujas datas de colocação se conhecem (1734-35).
É posterior ao da Capela de São Sebastião, que era de mais qualidade[2].
Apresentamo-lo aqui como se encontrava antes do restauro.


Retábulo joanino da sacristia da Igreja da Lapa antes recente restauro.


Esta coluna salomónica, com trepadeiras de rosas e capitéis coríntios, tem nítidas semelhanças com as colunas joaninas dos retábulos laterais da Matriz.


Um atlante do retábulo joanino.




[1] O adjectivo joanino relaciona-se com o rei D. João V, que ocupou o trono de 1707 a 1750.
[2] É estranho que, em 1758, a capela estivesse em ruína sendo o retábulo tão recente.

II – A IGREJA DE NOSSA SENHORA DA LAPA

O PE. ÂNGELO DE SEQUEIRA E A SEGUNDA LAPA


A grandiosidade e a excelência artística da Igreja da Lapa sempre foram reconhecidas, mas recentemente esta igreja pôde ser melhor compreendida e avaliada. Um incontornável nome para se chegar a essa compreensão é o do Pe. Ângelo de Sequeira.

Antes do Pe. Ângelo de Sequeira

Em anos relativamente próximos da construção da Igreja da Lapa e em tempo do Prior Falcão, tiveram lugar em Vila do Conde algumas pregações de grande impacto, as chamadas missões. Quem disso informa é Franquelim Neiva Soares[1]:

Em 23 de Setembro de 1742 dirigiram-se do Colégio de S. Paulo, em Braga, para Vila do Conde Fr. Inácio Duarte, o Irmão Cládio Fiúza e Manuel Torres, iniciando, nesta vila, no princípio com retumbante proveito espiritual, uma missão pelas vinte e três freguesias arquidiocesanas limítrofes da Diocese do Porto, a qual se concluiu em 30 de Dezembro.

No ano seguinte, esteve em Vila do Conde, também em missão, o espanhol Pe. Pedro Calatayud (Navarra, 1 de Agosto de 1689 - Bolonha, 27 de Fevereiro de 1773), que já obtivera grande êxito no seu país. O Arcebispo mandou mais tarde traduzir os dois volumes das suas Doutrinas Práticas e fê-los distribuir por todas as paróquias da diocese nos anos de 1749 e 1750.

Quem era o Pe. Ângelo de Sequeira?

Em termos de eficácia prática, porém, a pregação do Pe. Ângelo de Sequeira terá superado a dos missionários que o precederam.
Já dissemos que a que chamamos segunda Lapa nasceu da sua pregação e dos livros deste sacerdote que era cónego da Sé de São Paulo e nascido nessa diocese em 1707[2].
Por meados do século esteve em Portugal. Aqui solicitou e obteve cartas de missionário apostólico e com elas percorreu por alguns anos as províncias do reino e parte das de Espanha, pregando a penitência e fazendo numerosas conversões. Voltou por fim ao Brasil e fundou na província de S. Paulo o Seminário de Nossa Senhora da Lapa, falecendo com opinião de grande virtude no Rio de Janeiro a 7 de Setembro de 1775.
Encontram-se em linha duas obras suas: 
Botica preciosa e thesouro precioso da Lapa, em que como em botica e thesouro se acham todos os remedios para o corpo, para a alma e para a vidaÉ uma receita da vocação dos Santos para remedio de todas as enfermidades, Lisboa, 1754; com 4 estampas.
Livro do vinde e vêde, e do sermão do dia do juizo universal, em que se chama a todos os viventes para virem e vêrem umas leves sombras do ultimo dia, o mais tremendo e rigoroso do mundo, Lisboa, 1758.

O Pe. Ângelo de Sequeira no norte de Portugal

O Prof. Francisco Ribeiro da Silva tem em linha dois trabalhos sobre a origem da Igreja de Nossa Senhora da Lapa, no Porto:
“Os Primórdios da Irmandade de Nossa Senhora da Lapa” (https://www.yumpu.com/pt/document/view/13678726/1-os-primordios-da-irmandade-de-nossa-senhora-da-hospital/5) e
“A Igreja da Lapa: Arte, Culto e História” (http://repositorio-aberto.up.pt/bitstream/10216/56891/2/ribeirodasilvaigreja000139963.pdf).
Foi neles que encontrámos a melhor síntese sobre a acção do Pe. Ângelo de Sequeira no Porto e na Diocese de Braga. Escreve o autor a certa altura, no primeiro destes trabalhos, referindo-se ao ano de 1756 ou 1757 e à campanha de pregação que o missionário brasileiro então empreendeu:

Entretanto, movido pelo desejo de espalhar pelo Reino o culto a Nossa Senhora da Lapa e talvez de angariar fundos para a construção da Igreja (da Lapa, no Porto), o Missionário pôs os pés ao caminho, dirigindo-se para Azurara, Vila do Conde, Esposende, Viana da Castelo, Ponte de Lima, Braga, Guimarães, inscrevendo grande cópia de Irmãos e juntando uma boa ajuda pecuniária que entregou na Mesa Administrativa: 1.521$170 réis! Como o Missionário se fazia acompanhar de um livro para registo dos novos irmãos e como alguns (talvez a totalidade) desses livros se encontram no Arquivo da Irmandade, mostra-se possível, se necessário, reconstituir esse périplo do Fundador e a expansão da Irmandade da Lapa pelo Norte de Portugal.

O Pe. Ângelo de Sequeira esteve assim em Vila do Conde e certamente não resistiu a visitar a Capela da Lapa[3].

A excelência da invocação de Nossa Senhora da Lapa

Na página cinco da Botica Preciosa, o Pe. Ângelo de Sequeira pronuncia-se assim sobre a importância da invocação de Nossa Senhora como Senhora da Lapa:

É Maria Santíssima a verdadeira Botica Preciosa, o verdadeiro Tesouro: tudo nos vem por suas mãos, como diz São Bernardo – omnia per manus Mariae[4]. Finalmente é um tudo para tudo – omnibus omnia facta est[5]. Ela é que nos livra de todos os perigos: Sed a periculis cunctis libera nos semper, Virgo gloriosa et benedicta![6]
E, como nas boticas se acha a variedade de remédios, vai nesta uma receita dos santos advogados para todas as enfermidades para qualquer enfermo escolher a que mais lhe agradar; e saiba que, sobre todas as receitas e vocações, é Nossa Senhora da Lapa a principal advogada para todas as enfermidades corporais e espirituais. E assim, com estilo breve, direi alguns prodígios que Ela tem obrada para afervorar a devoção dos devotos que se fizeram valer dos remédios desta Botica Preciosa da Lapa e utilizar-se deste Tesouro Precioso da Lapa.

O que conta a seguir, passado consigo e com os fiéis que em Portugal e Brasil o ouviram, é impressionante. E de facto impressionou profundamente. E por isso multiplicaram-se os locais de culto onde se veneravam imagens da Senhora da Lapa esculpidas a partir da imagem bidimensional do livro ou do seu original tridimensional.

Qual era a Lapa do Pe. Ângelo de Sequeira?

O autor não aduz qualquer justificação para a sua afirmação de que Nossa Senhora da Lapa é a principal advogada para todas as enfermidades corporais e espirituais[7] e não identifica a Lapa a que se refere: não fala em nenhuma, nem na de Sernancelhe nem da do presépio[8].
Embora as primeiras palavras da Botica Preciosa (após a dedicatória, prólogo, licenças e índice) sejam Jesus, Maria e José, ele fixa-se sobretudo na sua imagem milagrosa de Nossa Senhora da Lapa, e essa nada tem a ver com a infância de Jesus nem com Sernancelhe.

Duas saudações a Nossa Senhora

As duas belas saudações a Maria que se seguem são reproduzidas da Botica Preciosa e seriam com certeza uma parte significativa da pregação do missionário brasileiro. São saudações, mas resultam em panegírico.

Saudação a Maria
Deus vos salve, Maria, serva da Santíssima Trindade, humilíssima!
Deus vos salve, Maria, Filha do Eterno Pai, santíssima!
Deus vos salve, Maria, Esposa do Espírito Santo, amabilíssima!
Deus vos salve, Maria, Mãe de Nosso Senhor Jesus Cristo, digníssima!
Deus vos salve, Maria, irmã dos Anjos, formosíssima!
Deus vos salve, Maria, promessa dos Profetas, gloriosíssima!
Deus vos salve, Maria, Mestra dos Evangelistas, verdadeiríssima!
Deus vos salve, Maria, Doutora dos Apóstolos, prudentíssima!
Deus vos salve, Maria, Consolação dos Mártires, fortíssima!
Deus vos salve, Maria, fonte enchente dos Confessores, suavíssima!
Deus vos salve, Maria, honra e coroa das virgens, jucundíssima!
Deus vos salve, Maria, saúde e consolação dos vivos e dos mortos, prontíssima!
Sede comigo em todas as minhas tribulações, necessidades, angústias e enfermidades e alcançai-me o perdão de meus pecados, principalmente na hora da minha morte não me falteis, piíssima e beatíssima Virgem Maria![9]

Saudação
Deus vos salve, Maria, Filha de Deus Pai!
Deus vos salve, Maria, Mãe de Deus Filho!
Deus vos salve, Maria, Esposa do Espírito Santo!
Deus vos salve, Maria, formoso templo da Divindade!
Deus vos salve, Maria, resplandecente lírio da Santíssima Trindade!
Deus vos salve, Maria, rosa agradável a toda a corte celestial!
Deus vos salve, Maria, Virgem das Virgens, Virgem poderosíssima, cheia de doçura e humildade, de que o Rei Eterno e Supremo do Céu quis nascer e ser alimentado com o vosso leite!
Deus vos salve, Maria, Rainha dos Mártires, cuja alma santíssima foi cruelmente ferida pela espada de dor!
Deus vos salve, Maria, Senhora e Mestra do mundo, a quem foi dado todo o poder assim na terra como no Céu.
Deus vos salve, Maria, Rainha do meu coração, minha Mãe, minha guia, minha doçura e toda a minha esperança!
Deus vos salve, Maria, Mãe amabilíssima!
Deus vos salve, Maria, Mãe admirabilíssima!
Maria, Cheia de graça, o Senhor é convosco!
Maria, bendita sois entre as mulheres! Bendito é o fruto do vosso ventre, Jesus Cristo! (…)[10]

Longa citação do Livro do Vinde e Vede

O Pe. Ângelo de Sequeira não falava só de Nossa Senhora da Lapa. A citação abaixo é recolhida do seu Livro do Vinde e Vede, que tem o longo título já reproduzido.
A partir da página 175, num processo que lembra o Gil Vicente das Barcas, imagina o pregador desculpas que darão no Juízo Final muitos e diversificados membros da Igreja. O fragmento tem também a virtude de nos mostrar um pouco do que eram os grupos sociais naquele século tão diferente do nosso e algumas das relações que entre uns e outros se estabeleciam.

Dirão os pontífices: Senhor, a Igreja e a Cristandade era muito grande e estendida. Eu tinha muitos pastores, cardeais, bispos, arcebispos em que me fiava: suspendei o braço da vossa ira.
Dirá o Anjo:
Ó pontífices, cá no Céu temos muitos dos vossos antecessores, que cuidaram mais nas suas obrigações e foram pastores vigilantes; e destes mesmos temos cá muitos santos: Sanctis millibus[11].
Dirão os cardeais: Senhor, os negócios eram muito grandes e tínhamos bons teólogos e assessores e nos fiávamos neles: suspendei o vosso castigo.
Dirá o Anjo:
Cá temos muitos dos vossos antecessores com as mesmas circunstâncias e feitos santos: Sanctis millibus.
Dirão os arcebispos e bispos: Senhor, a diocese e bispado era muito comprido e estendido, tínhamos bons vigários e curas e bons visitadores: descansámos neles: suspendei a vossa ira.
Dirá o Anjo:
Cá temos muitos dos vossos antecessores que tiveram melhor cuidado que vós e não deram benefícios por cartas de favor nem ordenaram por empenhos, e destes temos cá muitos no Céu, muitos santos com as mesmas ocupações que vós tivestes: Sanctis millibus.
Dirão os vigários, reitores, abades e curas[12]: Senhor, a freguesia era muito grande e estendida, tinha bons operários, descansámos neles: suspendei a vossa ira.
Dirá o Anjo:
Nunca lestes o que vos estava avisando o Concílio nestas palavras Cum certissimum sit, excusationem pastorum non admitti si lupus oves comedat et pastor nesciat[13]. Pois sabei que cá no Céu temos muitos dos vossos antecessores com as mesmas ocupações feitos grandes santos: Sanctis millibus.
Dirão os clérigos e sacerdotes seculares: Senhor, nós éramos pobres, os rendimentos pequenos, as despesas grandes: tende compaixão de nós.
E dirá o Anjo:
Vós não lestes o que já de vós dizia São João Crisóstomo, que as vossas culpas e delitos eram causa de perdição do povo: Ruina populi mei ex maxima culpa sacerdotum fuit[14]? Pois sabei que cá no Céu temos muitos clérigos e sacerdotes com as mesmas circunstâncias que vós alegais e destes temos muitos santos: Sanctis millibus.
Dirão os prelados das religiões[15]: Senhor, os conventos estavam alcançados em dívidas e disfarcei alguma coisa nos meus súbditos para se recolherem às casas de seus pais e suas mães e passarem as férias, e me fiava neles: suspendei a vossa ira.
Dirá o Anjo:
Vós não lestes aquelas palavras Impossibile est aliquem ex Rectoribus salvos fieri[16]? Pois sabei que cá no Céu estão muitos dos vossos antecessores que tiveram os seus conventos empenhados, mas desempenharam as suas obrigações nas vigilâncias e por isso temos cá desses muitos: Sanctis millibus.
Dirão os reis, monarcas e príncipes: Senhor, o reino era muito grande, pusemos relações, ministros, governadores, descansávamos neles: suspendei a vossa ira.
Dirá o Anjo:
Cá temos no Céu muitos dos vossos antecessores mais cuidadosos e feitos grandes santos: Sanctis millibus.
Dirão os ministros, os governadores, os militares, os letrados, os oficiais: Senhor, os negócios eram de muita suposição, as demandas eram contínuas, os despachos actuais, as portas remotas: suspendei a vossa ira.
Dirá o Anjo:
Cá no Céu temos muitos com as mesmas circunstâncias e feitos grandes santos. Sanctis millibus.
Dirão os solteiros e solteiras e donzelas: Senhor, éramos pobres e desamparados: suspendei a vossa ira[17].
Dirá o Anjo:
Cá no Céu temos muitos com essas circunstâncias feitos grandes santos: Sanctis millibus.
Dirão os casados e pais de família: Senhor, a família era grande, muitos filhos e filhas, pouco era o que trabalhava para o seu sustento: suspendei a vossa ira.
Dirá o Anjo:
Cá no Céu temos muito pobres, pois deles é o reino dos Céus, que o souberam merecer com a sua pobreza, feitos grandes e grandes santos: Sanctis millibus.
Dirão os filhos-famílias, os criados e criadas, escravos e escravas: Senhor, os nossos pais e senhores não nos assistiam com tudo o que nos era necessário, faltaram às suas obrigações, não nos ensinaram a doutrina cristã e nem a confessar as nossas culpas: suspendei a vossa ira.
E dirá o Anjo:
Cá no Céu temos muitos e muitas com esse desamparo feitos grandes santos: Sanctis millibus.
Dirão os lavradores: Senhor, nós estávamos muito ocupados com as nossas lavouras e colheitas, éramos muito pobres, não tínhamos criados para nos trabalharem, as rendas que pagávamos eram exorbitantes, pouco era o tempo para o serviço.
Dirá o Anjo:
Cá no Céu temos muitos que foram lavradores com essas mesmas pobrezas e colheitas e foram santos: Sanctis millibus.
Dirão as mulheres mundanas e pecadoras públicas: Senhor, nossos pais foram muito pobres e nos deixaram ao desamparo, fomos requestadas, rejeitámos, mas cresceu tanto a necessidade que nos prendemos por mera necessidade: suspendei a vossa ira.
Dirá o Anjo:
Cá no Céu temos muitas que foram tão pobres como vós e com as mesmas necessidades e com tudo isso foram muito santas: Sanctis millibus.
Dirão os sacristães das igrejas, tesoureiros, fabriqueiros: Senhor, as igrejas eram muito pobres, não tínhamos tempo para limparmos e assearmos os altares e as vestimentas e mais ornatos da igreja: suspendei a vossa ira.
Dirá o Anjo:
Cá no Céu temos muitos que tiveram as mesmas ocupações e foram limpos, asseados e santos: Sanctis millibus.

Pelo fragmento passa quase toda a gente. Como de cada grupo há milhares de santos, também os destinatários do autor se podiam salvar.
E era isto dito não propriamente por um taumaturgo, mas por alguém cuja devoção era fonte de grandes graças e milagres. Alguém também próximo das pessoas, que se preocupava com elas. O Pe. Ângelo de Sequeira, apesar de ser cónego da Sé de São Paulo e monsenhor, assinava “Ângelo de Sequeira, pobre Missionário Apostólico”.
Pelas reacções de que nos chegou conhecimento indirecto, podemos concluir que ele foi arrebatador.

Imagens de Nossa Senhora da Lapa que copiam a do Pe. Ângelo de Sequeira

O impacto da pregação do Pe. Ângelo de Sequeira também se mede pelas muitas cópias que se fizeram da imagem de Nossa Senhora da Lapa que ele trazia consigo.
Reproduzindo-a, os artistas esculpiram muitas imagens; mantendo o essencial, usaram também de alguma liberdade. Consideremos algumas delas.
As do primeiro par são da Igreja que estamos a estudar. Na da esquerda, a Senhora é mais encorpada, predomina o ouro velho embora ocorra também o azul; a da direita, pelo contrário, tem colorido variado. Também o suporte de nuvens e os querubins são muito diferentes.
No segundo par, a da esquerda era da extinta paróquia de Santagões e a da direita é a Senhora da Lapa de Fora da Igreja da Lapa na Póvoa de Varzim. A da esquerda usa mais cor e tem muito mais volume.
A roupagem da que colocamos abaixo, da Matriz da Póvoa de Varzim, é muito colorida, sendo o vestido “estampado”; a da direita, duma capela particular de Balasar, é mais contida na cor, mas mostra mais o cabelo e o lenço foi substituído por uma espécie de echarpe (é uma imagem volumosa).

Fica claro que todas elas estão próximas do modelo: a cabeça aparece sempre coberta, o olhar é sempre dirigido para a frente, as mãos estão sempre postas, sempre com uma “capa” sobre o vestido e, por cima deste, o manto. Todas devem ter tido coroa.


Frente do original púlpito da Matriz. Foi a partir dele que pregaram os missionários de que aqui se fala.


Representação de Nossa Senhora da Lapa que se encontra na Botica Preciosa. A partir dela fizeram-se depois repetidíssimas esculturas (de facto, ela copiava uma imagem tridimensional que o autor costumava trazer consigo). O sol que a ilumina por trás da cabeça, não o podiam os escultores representar. As roupagens são abundantemente estampadas.


Página de rosto da Botica Preciosa.


Página de Rosto do livro Vinde e Vede.




Duas imagens de Nossa Senhora da Lapa da Igreja da Lapa de Vila do Conde. A da direita é pequenina e devia servir para dar a beijar.


Imagens de Nossa Senhora da Lapa respectivamente da igreja da extinta paróquia de Santagões e do exterior, voltado ao mar, da Igreja da Lapa da Póvoa de Varzim.


A imagem da esquerda devia ser a de dar a beijar na Matriz da Póvoa de Varzim; a da direita é uma imagem de grandes dimensões da Capela de Nossa Senhora da Lapa em Balasar.



[1] SOARES, Franquelim Neiva – Subsídios para a História de Santa Eulália de Balasar, in Boletim Cultural Póvoa de Varzim, vol. XV, nº 1, 1976, pp. 53-54.
Em 1741, tinha sido criada em Santa Clara a Confraria dos Santíssimos Corações de Jesus e da Virgem Maria.
[2] O Brasil, note-se, ainda demoraria muito a tornar-se independente.
[3] Não sabemos quase nada das pessoas contemporâneas do Prior Falcão que com ele ouviram entusiasmadas as palavra do Pe. Ângelo de Sequeira. Coloca-se por isso aqui esta lista retirada duma acta da câmara onde estão os nomes daquelas que então eram as pessoas mais gradas da Vila: António Carneiro de Figueiredo (homem bastante rico), Capitão-Mor Mateus Pereira da Rocha (muito abastado), José Carneiro da Costa e Magalhães, Jácome Carneiro de Sá Barbosa, Manuel Carneiro Mascarenhas, Martinho de Sá Carneiro (residia na Rua de São Bento), José Joaquim, João Pinto da Rocha, João Crisóstomo Pereira Rego e Sá, Lourenço Justiniano Amorim Pinheiro, Inácio Félix de Oliveira Carneiro, Afonso da Silva (muito rico), Dr. João Xavier Nogueira, Dr. António Pereira Medela (abastado, professor do ensino universitário), António Pereira Rego (da Rua de São Bento), Domingos José da Rocha, João Carneiro de Azevedo e Sá Barbosa (talvez da Rua do Bispo), José de Lima Carneiro Camelo Falcão (pai do Prior Falcão), Luís Carneiro de Sá Barbosa, Dr. António Luís Pereira Campos (mencionado na Escritura da Arrematação da obra da igreja), Domingos José da Rocha de Leão, Dr. João Pereira da Costa (da Rua de São Bento), Dr. Vitoriano de Sousa Guerra (abastado), Manuel Afonso de Oliveira, Manuel Carneiro de Sá Barbosa, Francisco Leite Ferreira (talvez natural da Póvoa, abastado), Francisco Abreu dos Santos, Domingos Vieira da Costa (da Rua dos Pelames).
[4] Tudo pelas mãos de Maria.
[5] Fê-La (Deus) tudo para todos.
[6] Mas livra-nos sempre de todos os perigos, Virgem gloriosa e bendita!
[7] Deve-se lembrar contudo que a devoção a Nossa Senhora da Lapa era muito popular.
[8] Mas sabe-se que havia devoção à Infância junto à Lapa do Porto.
[9] Botica Preciosa, pág. 168.
[10] Botica Preciosa, pág. 171 (texto traduzido do francês).
[11] Milhares de santos (expressão da Epístola de São Judas Tadeu).
[12] Basicamente, trata-se de párocos.
[13] Quando for bem certo, não seja admitida a desculpa dos pastores se o lobo come as ovelhas e o pastor não sabe.
[14] A ruína do meu povo foi da máxima culpa dos sacerdotes.
[15] Superiores das casas religiosas.
[16] É impossível que algum dos governantes se salve. É provável que haja erro nesta citação. Talvez fosse assim: Miror an fieri possit ut aliquis ex rectoribus sit salvus: Admiro-me que algum dos governantes se possa salvar. O autor termina aqui as considerações relativas ao clero e começa a seguir as que dirige às autoridades civis.
[17] Agora passa a considerar as camadas populares.
A IGREJA DA LAPA


A Escritura de Arrematação da Igreja da Lapa

A Escritura de Arrematação da Igreja da Lapa é um longo documento notarial onde se encontram informações valiosas.
Em 2 de Março de 1758, o tabelião dirigiu-se a casa do Prior Francisco de Lima e Azevedo Camelo Falcão[1], Juiz da Confraria de Nossa Senhora da Lapa, e aí se lavrou a Escritura de Arrematação da Igreja da Lapa[2]. É assim anterior de alguns meses à memória paroquial, datada de 14 de Maio do mesmo ano.

Escritura de Arrematação e Contrato que fazem os Juízes e mais Oficiais da Confraria de Nossa Senhora da Lapa e São Bartolomeu desta Vila do Conde com João Monteiro e Matias de Passos, mestres-pedreiros desta mesma.
Em nome de Deus, ámen.
Saibam quantos este público instrumento de escritura e arrematação e contrato, ou como em direito melhor haja lugar e dizer se possa, virem que no ano do nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo de mil e setecentos e cinquenta e oito anos, aos dois dias do mês de Março do dito ano, nesta Vila do Conde e nas casas da morada do Reverendo Prior Francisco de Lima e Azevedo Camelo Falcão, Juiz da Confraria de Nossa Senhora da Lapa, aonde eu tabelião fui vindo, aí, perante mim e testemunhas ao diante nomeadas e no fim deste instrumento assinadas, foram presentes partes outorgantes e aceitantes, a saber, de uma o dito Reverendo Prior e Juízes da dita Confraria e com ele o tesoureiro dela, João Carneiro de Azevedo Duarte, e bem assim mais os deputados seguintes: Manuel Leite de Brito, coadjutor da Igreja Matriz desta Vila, e o doutor António Luís Pereira Campos e Manuel Machado de Barros e João da Costa Pereira, todos moradores nesta dita Vila, e com eles, Luís Machado de Barros Vilas-Boas, Juiz da Confraria de São Bartolomeu, a qual está anexa à da Senhora da Lapa, e da outra João Monteiro e Matias de Passos[3] e João António Dias, mestres-pedreiros, todos moradores nesta mesma Vila de Conde, e uns e outros reconhecidos de mim tabelião pelos próprios, de que dou fé, como também das testemunhas perante as quais e de mim tabelião, pelos ditos Juízes e Oficiais, que também são irmãos da Confraria do Apóstolo São Bartolomeu em cuja capela se acha colocada a imagem de Nossa Senhora da Lapa, por todos e por cada um in solidum, foi dito e disseram que estando em acto de conversação e mesa pretenderam edificar de novo um templo em lugar do antigo para com toda a decência e veneração estarem as imagens de Nossa Senhora da Lapa e do Apóstolo São Bartolomeu, com as dos mais Santos e Santas e mais ima­gens que residiam na capela antiga, fazendo todos os acrescen­tamentos de comprimento, altura e largura e as mais mudanças de que precisariam para o bom ornato do mesmo templo e igreja, e para este efeito deram a dita obra de empreitada ao mestre João Monteiro e a seus consócios Matias de Passos e João António Dias e por preço de seiscentos e quinze mil réis na forma da planta e aponta­mentos que todos viram, leram e assinaram, como deles constavam, e porque queriam segurar a obrigação desta obra por escritura pública estipulando nela por contrato as condições com que há-de ser feita (…)

Algumas notas sobre os colaboradores que acompanhavam o Prior Falcão: João Carneiro de Azevedo Duarte, o tesoureiro da confraria, era um proprietário abastado; o doutor António Luís Pereira Campos destacava-se no meio vila-condense e viria a ser nomeado Procurador da Coroa e Fiscal da Fazenda Real sobre Sisas e mais Direitos Reais; Manuel Machado de Barros devia ser irmão de Luís Machado de Barros Vilas-Boas (que tinha ao menos uma propriedade na Rua da Laje); de João da Costa Pereira nada sabemos.
Enquanto o fragmento anterior dá conta sobretudo da ideia que presidia à construção que se queria levantar, o que se segue contém informações bastante precisas sobre a obra a executar, destinadas ao mestre-pedreiro construtor.

(…) o Corpo da Igreja há-de ter em vazio trinta e dois palmos e porão duas pias de pedra ao pé da porta principal para a água benta, que serão feitas de concha com todo o primor da arte, que terão dois palmos e meio de vão e três de comprido, e bem assim dois cachorros bem lavrados de quartela, com suas meias canas ao uso moderno, e juntamente uma porta falsa no lado do sul, correspondente à porta da entrada do púlpito da parte do norte; e neste lado na capela-mor fará uma porta para a sacristia com cinco palmos de largo e desde alto apilarada por fora e por dentro nos alicerces do corpo de toda a Igreja e capela-mor – lhe deixarão hum palmo de sapata pela parte de fora e por dentro um quarto de palmo e os alicerces serão firmados em pedra firme e copiado da capela-mor; e arco cruzeiro até onde hão-de ir as grades, conforme mostra a planta, será feito de fiada, escu­dado, e enquanto às empenas da capela-mor e arco cruzeiro as farão com o ponto necessário para a boa expedição das águas; e, conforme o pedir a arte, as pirâmides do arco cruzeiro e capela-mor serão como as do frontispício; e o arco cruzeiro, sem embargo do que mostra a planta, o farão, no que diz respeito a largura, ou menos a largura dele, conforme eles oficiais o determinaram, e as sapatas do alicerce do corpo da Igreja, pela parte de fora, será de esquadria de friso; e que enquanto ao mais se fará a obra na forma da planta; e que com todas estas condições haviam por arrematada a dita obra pela dita quantia de seiscentos e quinze mil reis (…)

A réplica da Igreja da Lapa do Porto

O que está determinado na segunda parte da Escritura de Arrematação não foi propriamente o que se construiu: entre o que se planeou e o que se executou há diferenças que se devem assinalar.
Dentro da igreja, o caso do púlpito é o mais evidente: o projecto fala de um e construíram-se dois. E o segundo não é acrescento posterior pois as belas mísulas em que os dois assentam são iguais.
E terão havido mais alterações.
A fachada não deve corresponder a nada do que figurava na planta da escritura, que não menciona as torres[4], nem o frontão, nem as imagens dos santos Bartolomeu e Lourenço. Mas refere-se às pirâmides do frontispício – que não existem: “as pirâmides do arco cruzeiro e capela-mor serão como as do frontispício” (supomos que por pirâmides se entendam pináculos).
Entre a data da escritura e a da memória paroquial, que fala duma “construção magnífica e custosa”, deve ter havido a grande mudança de planos, com enorme acrescento de fundos. O dinheiro original não devia chegar para construir uma das torres.
Que se terá passado? O Pe. Ângelo de Sequeira terá vindo à Lapa e galvanizado a população? Terá algum brasileiro muito rico disponibilizado avultadíssima quantia?
O que é bastante claro é que se quis fazer da fachada principal desta igreja da Lapa uma réplica em ponto menor da do Porto. Certamente ambicionou-se recriar na Vila a grande dinâmica pastoral que se desenvolvia no Porto.
São muitos os pontos em comum entre as duas fachadas: o frontão triangular com a coroa, as estátuas por cima, as duas torres. Mas há outros elementos comuns: como a do Porto, a de Vila do Conde ficava fora de portas, ambas assentam sobre uma elevação, em ambas as torres se elevam ao lado do corpo da igreja.
Sobre as torres, retenha-se que têm uma qualidade artística bem superior às do Porto.
Esta perspectiva obriga a repensar a questão do arquitecto (ou arquitectos) da igreja vila-condense da Lapa.
O que se mandava na planta original estava alcance, parece-nos, de qualquer mestre-pedreiro experiente.
A parte que é cópia da igreja do Porto, pela sua qualidade artística, exigia pelo menos artistas capazes.
Restam o portal e as originais torres. Estas deviam pedir mesmo arquitecto e também bons artistas.

Nota sobre o Prior Falcão

O Prior Falcão nasceu em 29 de Outubro de 1706, em São Simão da Junqueira, na casa do Cerqueiral, e foi baptizado pelo prior do mosteiro existente na freguesia, D. Dionísio de Santo António. O pai chamava-se José Pinto Carneiro e era cavaleiro professo da Ordem de Cristo; o nome da mãe era D. Maria Luísa de Azevedo. Mais tarde, a família veio residir para Vila do Conde.
Este prior iniciou actividade em Vila do Conde em 1737 (por uma tia, abadessa de Santa Clara, lhe ter dado a apresentação do priorado[5]) e faleceu em 5 de Julho de 1759, com 52 anos[6].
A Escritura de Arrematação da obra da Igreja da Senhora da Lapa foi lavrada em sua casa, o que pode significar que a sua saúde já não andaria bem um ano antes, naquele Março de 1758.
A memória paroquial que escreveu é muito desenvolvida e cuidada e tem, como já se disse, o original título de “Epílogo Topográfico”[7]. Passou dois meses a prepará-la.
Do legado que deixou na paróquia, constou um retábulo-mor na Matriz, substituído pelo actual cerca de 1875.
Nos derradeiros meses de vida devia estar gravemente doente pois era reservatário, havendo um novo prior em efectividade.
Não fez testamento.
As imagens do apóstolo São Bartolomeu[8] e do mártir São Lourenço indicam a continuidade da devoção antiga que ali se promovia; a coroa, destacadíssima, no lugar mais nobre, representa Nossa Senhora (os reis portugueses tinham feito a entrega da sua coroa à Mãe de Deus).
A coroa é real, mas neste caso é um símbolo mariano.

Embora esta nota não acentue a importância das torres no contexto da fachada frontal, o lugar delas é o mais destacado: grandiosas, injustificadas nas suas oito sineiras, mais para efeito estético.
Para apreciar a sua grandiosidade e arte, basta compará-las com outras quase contemporâneas, como as da Igreja do Mosteiro de São Simão da Junqueira ou as da Matriz da Póvoa de Varzim.


O interior neoclássico

A diferença estilística entre a exuberância da fachada do templo e o seu interior é surpreendente. Ao barroco já próximo do rococó do exterior corresponde a talha neoclássica dos retábulos. Agostinho Araújo cita um visitador que em 1795 se exprimiu assim sobre esta igreja: “Achei a Capela de Nossa Senhora da Lapa optimamente ordenada”. É bem possível que a talha neoclássica viesse data próxima. Aliás, é flagrante a semelhança estrutural entre o retábulo-mor da Igreja da Lapa e o correspondente retábulo-mor da Matriz, datado, ao que se julga, de 1785[9].
A nota da Direcção-Geral do Património Cultural que já citámos exprime-se assim sobre ele:
 
Não é possível determinar em que época o templo ficou concluído, mas a campanha decorativa do interior, de características já neoclássicas, prolongou-se, com certeza, até ao início do século XIX. Destacam-se os retábulos colaterais, a sanefa que coroa o arco triunfal, e o retábulo-mor, em talha dourada e branca. 

Por retábulos colaterais entendem-se naturalmente o de São Bartolomeu e o de São Lourenço.
O recente restauro desta talha beneficiou-a muito.
É possível que a morte do Prior Falcão em 1759 tenha afectado o impulso e o andamento das obras adiando-as.
Repare-se que o tamanho das imagens se adequa sempre ao espaço que lhes foi destinado.

Vila do Conde renovada

Em Vila do Conde, no século XVIII e em particular na sua segunda metade, construiu-se muito. Não se ergueu só a parte nova do Mosteiro de Santa Clara, muitos nobres edificaram residências apalaçadas. São disso principais exemplos a Casa da Fervença (Museu de Bilros), a Casa Grande (Hotel Estalagem do Brazão), a Casa dos Vasconcelos (Auditório Municipal), a Casa dos Coelhos (Instituto de São José), a Casa da Praça (Centro Paroquial). A própria Casa de São Sebastião (Centro de Memória) há-de ter sido sujeita a obras.

Foi neste contexto edificador que se levantou a magnífica Igreja de Nossa Senhora da Lapa como homenagem à Mãe de Deus.

Mais fotografias da talha neoclássica da Igreja da Lapa

Ver abaixo.



Fachada principal da Igreja de Nossa Senhora da Lapa de Vila do Conde.


Igreja da Lapa do Porto cuja fachada principal inspirou de perto a de Vila do Conde.


Importante pormenor da fachada da Igreja da Lapa que elucida sobre as intenções de quem promoveu a construção deste templo.


Esta bela porta barroca merece ser comparada com a do Convento do Carmo, com a da Igreja do Mosteiro da Junqueira e com a da Matriz da Póvoa, todas de tempos muito próximos.


Majestosa coroa que representa Nossa Senhora da Lapa no lugar mais destacado da fachada da igreja, sobre o frontão.



Uma das vistosas torres da Igreja da Lapa de Vila do Conde, a do sul.


Majestoso interior neoclássico da Igreja da Lapa visto do coro.


Excelente retábulo neoclássico do altar-mor: na maior parte repete o correspondente da Matriz.


Contemporâneo do da Lapa, o retábulo o retábulo-mor da Matriz tem com aquele as mais notórias semelhanças.


A imagem da padroeira tem este rico enquadramento.


Belíssimo sacrário da Lapa.


Retábulo de São Bartolomeu. A imagem, recente, do apóstolo mostra-o segurando o cadeado que prende Satanás, como na fachada da igreja.


Retábulo de São Lourenço. Como no de São Bartolomeu, também neste há mísulas para mais quatro imagens de pequenas dimensões. A de São Lourenço é também recente.


A delicada sanefa do arco cruzeiro.





[1] A casa ficava na Rua da Igreja.
[2] A escritura em causa foi publicada por Eugénio de Andrea da Cunha e Freitas, que a copiou no Arquivo Distrital do Porto, e republicada por José Emídio Martins Lopes.
[3] Era artilheiro no Castelo.
[4] A escritura, que menciona a pia de água benta e o seu primor de arte, não refere as torres.
[5] Nessa altura já este jovem sacerdote deveria ter uma filha no lugar de Casavedra, Junqueira, que casou em 1751 com um nobre.
[6] Em 27 de Março, tinha-lhe morrido um escravo de nome João.
[7] A palavra epílogo talvez correspondesse a resumo. É conhecida uma crónica dos frades lóios de Vilar de Frades, de 1658, que tem por título “Epílogo e Compêndio da Origem da Congregação de São João Evangelista…”
[8] À imagem deste apóstolo falta o cadeado que acorrentava Satanás.
[9] Era então Prior António Fernandes Lourenço de Lima, o imediato sucessor do Prior Falcão. Naturalmente, não sabemos qual é anterior, se o retábulo da Lapa (mais os retábulos colaterais), se o da Matriz.